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A Matriz das Competências Estratégicas no futuro contexto digital

A aquisição e a renovação de competências representam o motor de desenvolvimento da humanidade criando necessidades diferentes e de elevada interdependência entre os indivíduos, as sociedades, as empresas e os países.

As oportunidades e as novas formas de aprendizagem (intranet e internet), para tudo e para todos, a qualquer hora e a partir de qualquer lugar (e-learning), com custos cada vez mais baixos, nalguns casos, mesmo gratuitos (social-learning, cursos MOOC –Massive Online Open Courses), permitem estabelecer relações no novo ecossistema digital e criar conhecimento em tempo real.

A questão que se coloca é compreender quais as competências, técnicas (saber e saber fazer) e as comportamentais (saber estar e querer fazer), que se devem adquirir e / ou desenvolver, no decorrer da vida pessoal e profissional, no atual contexto da transformação digital.

A resposta encontra-se na Matriz das Competências Estratégicas (figura abaixo) que combina, em quatro quadrantes, um conjunto de conceitos que se definem como:

  • Saber, o conhecimento que é considerado crítico para desempenhar uma determinada função, adquire-se através da formação académica, formação profissional, certificações técnicas, cursos de especialização e da autoformação;
  • Saber Fazer, a experiência que resulta do desempenho real da função, acumula-se pela apresentação de soluções para a resolução diária dos problemas, desenvolvendo a maturidade e o bom senso que são necessários no processo de tomada de decisão;
  • Saber Estar, a relação que se estabelece com os membros da nossa família, amigos, hierarquia, equipa, clientes, fornecedores e com a sociedade em geral, deve ser de confiança, com elevada empatia e simpatia, características que facilitam a cooperação, a comunicação e a galvanização do trabalho de equipa;
  • Querer fazer, a atitude de concretizar um determinado objectivo e de alcançar as metas previamente estabelecidas, requer uma iniciativa pró-ativa, o brio de fazer bem à primeira, o foco na solução ao invés do problema, a obtenção de resultados e uma elevada orientação para o cliente.

O posicionamento dos indivíduos na matriz das competências estratégicas resulta, precisamente, da combinação das competências que detém – saber, saber fazer, saber estar e querer fazer, as quais, determinam a sua distribuição pelos quadrantes, conforme se indica:

  • ausente em competências quando não existe o saber e o saber estar, o estado primário da formação de qualquer indivíduo (Quadrante I);
  • dominante da competência técnica quando, num segundo patamar de evolução da aprendizagem (saber e saber fazer), o indivíduo teve a oportunidade de executar a função, concluindo sobre as necessidades de melhoria e do aperfeiçoamento a realizar (Quadrante II);
  • dominante da competência comportamental quando o indivíduo estabelece agilmente relações e demonstra elevada atitude face ao trabalho (saber estar e querer fazer), as características que tornam possível o trabalho em equipa e a vontade de fazer acontecer (Quadrante III);
  • presente em competência total quando o indivíduo detém skills técnicas e comportamentais desenvolvidas, o objectivo de todos aqueles que pretendam manter a sua atratividade no mundo laboral, cada vez mais competitivo, seja pela obtenção de emprego ou pela criação do seu próprio emprego (Quadrante IV).

A forma de acumulação do conhecimento, que requer tempo e aperfeiçoamento constante, é cada vez mais posta em causa, pela disseminação de algoritmos computacionais evoluídos (inteligência artificial), com impacto imediato no mercado de trabalho e na remuneração salarial.

De acordo com o atual contexto tecnológico, as empresas pressupõem, cada vez mais, que as novas competências digitais, tais como, o domínio avançado das ferramentas office, a edição e tratamento de imagem e vídeo, o recurso à cloud, o uso de diferentes plataformas, a protecção da privacidade assim como a segurança da informação, fazem já parte do “adn” de qualquer indivíduo.

O domínio destas competências tecnológicas é crítico para estudar, trabalhar e para as actividades de lazer, assumindo-se como pressuposto que a difusão e a inclusão da nova cultura digital, estão ao alcance de todos os cidadãos de forma segura e esclarecida.

A expectável transformação no mercado de trabalho, decorrente da evolução da robótica e da inteligência artificial que substituirá a força laboral humana por “robôtshumanóides”, criará novos postos de trabalho em quantidade muito inferior aos que irá eliminar.

Essa situação, impõe a reflexão sobre quais as competências que os “humanos” deverão investir para que, no médio prazo, rentabilizem o tempo e o capital empregue na valorização técnica e comportamental, com o propósito de manterem a utilidade laboral remunerada ativa, na nova sociedade digital que se está a formar.

Está é também uma responsabilidade do Estado, no planeamento do sistema de educação, que terá de ser forçosamente revisto, à luz da actual realidade digital. O investimento realizado por toda a sociedade, num qualquer indivíduo, durante os primeiros 22/25 anos da sua vida, terá forçosamente que se traduzir na sua empregabilidade, momento a partir do qual, se inicia o retorno dos recursos materiais, financeiros e humanos aplicados, com preferência, no país que realizou o investimento da sua formação.

Os elementos da futura sociedade digital, caracterizada pela profunda automatização da força de trabalho e pela regular convivência entre os homens e as máquinas, terão forçosamente, uma nova distribuição pelos quadrantes da matriz de competências estratégicas apresentada, conforme se antecipa:

  • As máquinas tenderão a substituir todos os indivíduos com reduzidas, ou mesmo, ausência de competências (Quadrante I);
  • Os “robots humanóides” dotados de algoritmos de aprendizagem, resultantes da evolução da inteligência artificial, tomarão, maioritariamente, a área da competência técnica (Quadrante II);
  • Os humanos, detentores das emoções, um estado temperamental e específico da personalidade de cada um, não programável através de algoritmos, por mais sofisticados que possam ser, ocuparão, maioritariamente, a área da competência comportamental (Quadrante III);
  • Os “humanos robóticos“, com capacidades cognitivas expandidas, resultante da prevista conexão biológica do cérebro ao processamento electrónico computacional, serão considerados como os mais evoluídos e completos da nova sociedade, por serem aqueles que incorporarão mais e melhores competências técnicas e comportamentais (Quadrante IV).

Na antevisão apresentada, sobre a Matriz Estratégica das Competências, em contexto da transformação digital, e considerando que as relações interpessoais se devem manter emocionais, e não somente racionais, muito provavelmente, dever-se-ia reforçar o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da Competência Comportamental. Esta é uma competência “core” que, dificilmente, poderá ser “digitalizada”, funcionando como a variável diferenciável, que torna os humanos únicos e distintos, e que garante o encanto e a graciosidade da vida.

A atual transformação digital que vivemos, para a qual todos contribuímos, de forma direta ou indireta, resulta da elevada competência técnica do homem, que tem excedido os limites jamais imaginados, possibilitando a criação de verdadeiros “milagres” tecnológicos (são exemplo: Scanner e Impressão 3D, Biotecnologia, Robótica, Inteligência Artificial, Veículos Autónomos, Estações Espaciais, Energia Atómica, Realidade Aumentada, Drones, etc.), motivados pelo fascínio do seu potencial e pelos benefícios de produtividade obtidos.

O produto desta transformação, não poderá, no entanto, pela ambição desmedida de um reduzido número de interesses minoritários, anular a utilidade da generalidade dos cidadãos planetários, exercendo, simplesmente, a opção da sua substituição por máquinas.

O espaço de convivência entre os homens e as máquinas, na nova sociedade digital, terá de manter-se em equilíbrio, independentemente, do novo modus operandi tecnológico a disponibilizar, o resultado da transformação digital que está a decorrer, aliás, na qual todos nós participamos activamente. Regular a governação futura desse equilíbrio é uma preocupação que deve surgir na agenda atual dos decisores ao mais alto nível das nações, da sociedade em geral e das próprias empresas.

Esta reflexão, deve ser feita, com elevada ponderação e maturidade, imbuída de uma visão futura, talvez ainda, inimaginável, por se pensar, simplesmente, “logo se vê, já não será no meu tempo”. No entanto, qual a motivação para se continuarem a adquirir competências técnicas e comportamentais, com reduzidas expectativas de obtenção de emprego, devidamente remunerado? Deve, pois, constituir-se como o nosso propósito, garantir a adequada empregabilidade sustentável das gerações futuras.

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contexto da transformação digital.A resposta encontra-se na Matriz das Competências Estratégicas (figura abaixo) que combina, em quatro quadrantes, um conjunto de conceitos que se definem como:O Saber, o conhecimento que é considerado crítico para desempenhar uma determinada função, adquire-se através da formação académica, formação profissional, certificações técnicas, cursos de especialização e da autoformação;O Saber Fazer, a experiência que resulta do desempenho real da função, acumula-se pela apresentação de soluções para a resolução diária dos problemas, desenvolvendo a maturidade e o bom senso que são necessários no processo de tomada de decisão;O Saber Estar, a relação que se estabelece com os membros da nossa família, amigos, hierarquia, equipa, clientes, fornecedores e com a sociedade em geral, deve ser de confiança, com elevada empatia e simpatia, características que facilitam a cooperação, a comunicação e a galvanização do trabalho de equipa;O Querer fazer, a atitude de concretizar um determinado objectivo e de alcançar as metas previamente estabelecidas, requer uma iniciativa pró-ativa, o brio de fazer bem à primeira, o foco na solução ao invés do problema, a obtenção de resultados e uma elevada orientação para o cliente.O posicionamento dos indivíduos na matriz das competências estratégicas resulta, precisamente, da combinação das competências que detém – saber, saber fazer, saber estar e querer fazer, as quais, determinam a sua distribuição pelos quadrantes, conforme se indica:ausente em competências quando não existe o saber e o saber estar, o estado primário da formação de qualquer indivíduo (Quadrante I);dominante da competência técnica quando, num segundo patamar de evolução da aprendizagem (saber e saber fazer), o indivíduo teve a oportunidade de executar a função, concluindo sobre as necessidades de melhoria e do aperfeiçoamento a realizar (Quadrante II);dominante da competência comportamental quando o indivíduo estabelece agilmente relações e demonstra elevada atitude face ao trabalho (saber estar e querer fazer), as características que tornam possível o trabalho em equipa e a vontade de fazer acontecer (Quadrante III);presente em competência total quando o indivíduo detém skills técnicas e comportamentais desenvolvidas, o objectivo de todos aqueles que pretendam manter a sua atratividade no mundo laboral, cada vez mais competitivo, seja pela obtenção de emprego ou pela criação do seu próprio emprego (Quadrante IV).A forma de acumulação do conhecimento, que requer tempo e aperfeiçoamento constante, é cada vez mais posta em causa, pela disseminação de algoritmos computacionais evoluídos (inteligência artificial), com impacto imediato no mercado de trabalho e na remuneração salarial.De acordo com o atual contexto tecnológico, as empresas pressupõem, cada vez mais, que as novas competências digitais, tais como, o domínio avançado das ferramentas office, a edição e tratamento de imagem e vídeo, o recurso à cloud, o uso de diferentes plataformas, a protecção da privacidade assim como a segurança da informação, fazem já parte do “adn” de qualquer indivíduo.O domínio destas competências tecnológicas é crítico para estudar, trabalhar e para as actividades de lazer, assumindo-se como pressuposto que a difusão e a inclusão da nova cultura digital, estão ao alcance de todos os cidadãos de forma segura e esclarecida.A expectável transformação no mercado de trabalho, decorrente da evolução da robótica e da inteligência artificial que substituirá a força laboral humana por “robôts humanóides”, criará novos postos de trabalho em quantidade muito inferior aos que irá eliminar.Essa situação, impõe a reflexão sobre quais as competências que os “humanos” deverão investir para que, no médio prazo, rentabilizem o tempo e o capital empregue na valorização técnica e comportamental, com o propósito de manterem a utilidade laboral remunerada ativa, na nova sociedade digital que se está a formar.Está é também uma responsabilidade do Est

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